Poesia e revolução

Território Coletivo faz uma forcinha, para recuperar e resgatar, a histórica obra do ex-rapper e agora músico cearense Moésio Castro que promete lançar uma nova faixa até dezembro.

Por Pablo Gutierrez para o Território Coletivo

é um sentimento ancorado no meu peito/ 
que acredita que esse mundo aqui tem jeito/ 
um desejo tão profundo, libertário, utópico, alcançado a partir da luta armada/ 
violenta e sangrenta que maltrata o coração/ 
que arrebenta com o soldado o jogando pelo chão/ 
necessária e importante pra nossa emancipação/ 
sou guerreiro sub-mundo provocando insurreição/ 
Princesa do Comum Moésio Castro

o rap é peso pesado quinem a vida, burgueses cubram a ferida que nós vamo catucar
A rima Moésio Castro

 

O Músico Moésio Castro. Foto: Cristiano magalhães

O Músico Moésio Castro. Foto: Cristiano magalhães

O músico cearense Moésio Castro, grande dirigente da velha guarda do hip hop nordestino e brasileiro, fundador da Força Nacional de Hip Hop, transborda poesia em suas canções. Sendo um daqueles raros compositores da música dita de protesto, em que o rigor e a profundidade teórica de suas letras, não inibem a beleza de sua poesia.

Durante a década de 90 e até o final da dec. de 2.000, nas lutas históricas da esquerda brasileira, ao final das manifestações, reunidos em praças, os militantes sempre apareciam com um violão e pediam para tocar Sonho Vermelho, verdadeiro hino da juventude periférica naquela época. Esta juventude suja e maltrapilha, sempre destacada e diferente da pequena burguesia dos partidos, era politizada graças ao trabalho daquele movimento que via nessa força, nesses excluídos políticos, não operários, não estudantes universitários, lumpem`s. Um agente transformador. Um sujeito político.

Muito tempo se passou. Veio à crise, o refluxo do movimento, e, o velho dirigente sempre na luta, se tornou mais reservado. A intensa atividade política, que sempre pôs a sua arte em segundo plano, ganhou novos contornos. Depois do sucesso do grupo feminino que criou e produziu junto com Nega Ana, “As Cumades do Rap”, fortaleceu a convicção de que a arte é um instrumento de luta.

No auge de seu trabalho, a internet ainda era uma novidade no Brasil. A tecnologia de que temos a disposição hoje, de filmagem e gravação, que propicia o arquivamento de materiais a preços acessíveis, não estava disponível. A própria condição econômica, de classe, não permitia, aqueles indivíduos terem acessos aos equipamentos de gravação, ou simplesmente, ir a um estúdio gravar. Por último, temos também, certo desprendimento por parte do próprio artista, que sempre viu sua obra como uma ferramenta histórica de mobilização social e não algo a se ter em uma estante é talvez, o que nos faça não encontrarseu material artístico na rede mundial.

Mais a estatura política a que Moésio chegou, sendo contraditoriamente, em sua obra artística quase que totalmente desconhecido até por grande parte do RAP nacional, e, a pressão de seus amigos, militantes, organizações aliadas e por ultimo do próprio Território Coletivo, tem feito o velho dirigente mudar de ideia. Com isso, e com a ajuda dessa rede de comunicação, promete está lançando uma faixa inteiramente nova até dezembro e disponibilizando materiais recuperados de gravações ao vivo, enquanto prepara um CD que deve ficar pronto até o ano que vem.

Pablo Gutierrez é membro da Força Hip Hop e “fã” confesso do trabalho de Moésio Castro.

Confira o Som Eu sou Lumpem

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