Após 5 dias de protestos e 30 ônibus destruídos, reajuste das passagens é suspenso em Teresina

 

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Maurício Pokémon/Meio Norte

Aliny Gama
Especial para o UOL
Em Maceió

O protesto dos estudantes pela redução do preço das passagens de ônibus em Teresina (PI) durante cinco dias resultou na suspensão do reajuste de 10% das tarifas. Após um saldo de 30 ônibus depredados e dois sites invadidos por hackers, no final da manhã desta sexta-feira (2), a prefeitura suspendeu o aumento por 30 dias.

A medida foi tomada para acalmar os ânimos exaltados por conta da violência dos protestos. Nesse período, deve existir uma negociação entre prefeitura, empresas e estudantes.

O movimento intitulado “#contraoaumento” reivindica a redução do preço da passagem do ônibus urbano, que no último sábado (27) saltou de R$ 1,90 para R$ 2,10.

Nesta manhã, os estudantes chegaram a iniciar o quinto dia de protestos, fechando um trecho da avenida Frei Serafim, uma das principais da região central da cidade. Eles também foram até a sede da Câmara de Vereadores, onde tiveram encontro com vereadores. Não houve casos de depredação registrados.

Logo após o anúncio da suspensão do reajuste, os estudantes saíram em comemoração pelas ruas de Teresina, usando um carro de som para anunciar a medida. Na internet, onde teve início o protesto, muitos estudantes também comemoraram a suspensão.

“Parabéns aos estudantes manifestantes por essa vitória, vamos a luta, contra os desmandos dos ‘Poderosos’. Todos Juntos”, disse Jameston Frota. “Mas que o brilho da vitória de um combate não nos cegue para o próximo! O movimento #contraoaumento ainda não acabou”, informou David Albano.

Protestos

Nesta quinta-feira (1), os protestos foram intensificados e terminaram com dois ônibus incendiados, e a prefeitura determinou que todos os ônibus de Teresina fossem recolhidos às garagens por questão de segurança. Estudantes chegaram a atirar frutas nos policiais. Avenidas do centro da capital piauiense foram fechadas durante boa parte da tarde.

Os protestos também ocorreram na Internet nesta quinta e sexta-feira. Hackers atacaram os sites do Diário Oficial do Município e do Setut (Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina). As páginas foram retiradas da rede e ainda exibiam, nesta manhã, a informação de que estavam “em manutenção”.

As invasões foram assumidas por um hacker autodenominado de “IR4DEX CREW”. Segundo o autor dos ataques, as invasões ocorreram em apoio ao movimento dos estudantes contra o aumento da passagem de ônibus.

Nos sites invadidos, o hacker publicou uma mensagem de apoio ao movimento estudantil. “Força Estudantes… agora o governo sabe que nós sabemos lutar e reivindicar pelos nossos direitos! Nós do IR4DEX CREW apoiamos as manifestações.

Empresas reclamam

Em nota oficial, o Setut informou que 30 veículos foram depredados e dois, incendiados durante os quatro primeiros dias de protestos.

O Setut disse que o aumento de 10% na tarifa “se deve à majoração dos custos de operação como reajustes de salários e de óleo diesel, alem do aumento do percurso com a assistência a novos bairros, em regiões mais distantes.”

Os empresários afirmam que “compreendem as reações negativas da população”, mas defendem que o preço seja reduzido com ações do poder público. “Se houvesse um subsidio do poder público pelo barateamento da tarifa, como ocorre em outras capitais.

“Em Teresina quem banca as gratuidades de diversas categorias profissionais e a meia-passagem dos estudantes é o passageiro pagante”, diz o Setut.

PM preparada

A onda de protestos causa preocupação as autoridades piauienses. Nesta sexta-feira, o governador Wilson Martins (PT) convocou reunião com integrantes da prefeitura de Teresina, o Setut e a Secretaria Estadual da Segurança. O governador afirmou que o movimento é “legítimo”, mas defendeu a manutenção da ordem pública e propôs uma mesa de negociações para tentar pôr fim ao impasse.

Nesta sexta-feira, a ordem dada à Polícia Militar era de que não fosse permita a obstrução de nenhuma ponte e o reforço do policiamento nas ruas. “É claro que pode haver manifestações, mas sem atentar contra o patrimônio, seja ele público ou privado, e contra a segurança das pessoas. Cabe ao governo e a mim, como governador, manter a ordem”, disse Martins, em nota publicada no site do governo.

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