Troy Davis executado

Mais um negro executado, embora tenha sido executado no mesmo dia um membro da Klan, a comparação com o numero de negros é sintomática do racismo aberto. Qualquer semelhança com as vitimas exterminadas e encarceradas pelo Estado brasileiro não é mera coincidência.

Tanto na comparação entre os números quanto nas estrategias de perseguição: criminalização, encarceramento, extermínio.A diferença é que aqui, o processo seletivo é velado, o que é pior!

O americano Troy Davis foi executado na noite de quarta-feira (21) por injeção letal, informou a penitenciária de Jackson, no estado americano da Geórgia, apesar dos protestos internacionais a respeito do caso, sobre o qual existiam sérias dúvidas da culpa do réu no assassinato de um policial em 1989.

A execução ocorreu às 23h08 local (00h08 Brasília de quinta), pouco tempo depois de a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitar um pedido de suspensão da sentença.

Durante o dia, os advogados de Davis esgotaram todas as possibilidades legais no estado da Geórgia, em diversas instâncias, na tentativa de evitar sua morte.

A execução estava prevista inicialmente para as 19h00 locais, mas foi adiada para aguardar a decisão do Supremo.

Segundo testemunhas. Davis reiterou ser inocente em suas últimas palavras.

“A briga na qual o policial morreu não foi minha culpa, eu não tinha arma”, declarou, de acordo com um jornalista que estava presente no momento em que Davis recebeu a injeção letal.

A execução foi assistida pela viúva do policial e os dois filhos da vítima.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se recusou a intervir para impedir a execução de Troy Davis, estimando que o caso cabia ao Estado da Geórgia e não ao poder federal.

“Obama tem trabalhado para garantir eficiência e justiça no sistema judiciário, especialmente nos casos de pena capital, mas não é apropriado que o presidente dos Estados Unidos se envolva em casos específicos como este, que são da justiça estadual”, informou seu porta-voz Jay Carney.

Executado após passar 20 anos no corredor da morte, Davis foi condenado à pena capital pelo assassinato do policial branco Mark MacPhail, ao final de um processo repleto de vícios judiciais, que revelaram dúvidas sólidas sobre sua inocência.

Durante o processo, nove testemunhas do assassinato cometido em 1989 indicaram Troy Davis como o autor do tiro, mas a arma do crime nunca foi encontrada e nenhuma prova digital ou traço de DNA, revelado. Depois, sete testemunhas se retrataram, mas isso não foi suficiente para convencer a Justiça a rever seu veredicto.

Apresentado por seus defensores como o exemplo do negro condenado injustamente, Troy Davis recebeu o apoio de personalidades como o ex-presidente americano Jimmy Carter, o papa Bento 16 e a atriz Susan Sarandon, além de centenas de manifestações pedindo seu indulto, por todo o mundo.

“É um escândalo, não se deve executar alguém sem provas e com base apenas em evidência visual”, disse à AFP o reverendo Al Sharpton, ativista dos direitos civis que estava ao lado dos manifestantes do lado de fora da penitenciária.

O caso levou os governos da França, Alemanha e do Vaticano a pedir a comutação da pena de Davis.

Um editorial do jornal “The New York Times” advertiu que a execução poderia “cometer um erro judicial trágico”.

Mario Miranda – sociologo/usp – SP

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